domenica 21 dicembre 2014

SE NÃO AGORA, QUANDO?

O Cardeal Kasper e todos os capangas de Bergoglio, mobilizados para o Sínodo sobre a Família, são absolutamente lógicos e perfeitamente coerentes com os princípios sobre o ecumenismo introduzidos pelo Concilio, ao proporem uma nova abordagem 'pastoral' para o matrimônio. Com aquele «compete à Igreja reconhecer aquelas sementes do Verbo espalhados para além dos seus limites visíveis e sacramentais», retornam à cena Gaudium et Spes, 22 [aqui - aqui] e os elementos de eclesialidade que existiriam também fora da Igreja. É lógico e consequente, portanto, passar do ecumenismo eclesial ao ecumenismo matrimonial: haveria, assim, segundo eles, elementos do matrimônio cristão fora do sacramento. É, de fato, examinada a possibilidade, em analogia com o que o Concílio fez com as outras confissões cristãs e até mesmo com as religiões, de reconhecer «elementos positivos» também nas «formas imperfeitas», como são considerados o matrimônio civil ou as convivências. E tudo na total ausência de elementos objetivos de avaliação moral, enquanto o não opor-se ao mal, mas adequar-se a ele, passa a fazer parte - segundo a nova langue de bois - das novas “escolhas pastorais corajosas” e da sua decorrente virulência revolucionária, capaz de abrir novos caminhos até hoje impensáveis.

E agora o que está em jogo vai além disso: a homossexualidade é vista, não como pecado – e muito menos como o pecado que clama por vingança da parte de Deus - ou como tendência desordenada porque contrária à lei natural, se se reconhece nas relações que instaura uma possível tensão no sentido do bem, passível de acolhida pastoral e de proteção jurídica. Mas, se querem distinguir aspectos positivos numa união contra a natureza e se um pecado grave deixa de ser tal, como recorda Roberto de Mattei:
é o conceito mesmo de pecado que é abolido e ressurge aquela concepção luterana da misericórdia anatematizada pelo Concílio de Trento. Lemos nos cânones acerca da justificação promulgados em 13 de janeiro de 1547: «Se alguém afirmar que a fé que justifica nada mais é que a confiança na divina misericórdia» (cân. 12); «que Deus deu aos homens Jesus Cristo como redentor em quem confiar e não também como legislador ao qual obedecer » (cân. 21); «que não há nenhum pecado mortal, a não ser o da falta de fé » (cân. 27), «seja anátema». [aqui]
A confusão aumenta ainda mais por ser repercutida pela mídia: o Sínodo mediático desde já não deixa de exercer os seus efeitos junto a muitos sacerdotes modernistas, que já aplicam suas aberturas "pastorais" para além da doutrina, enquanto não faltam os fiéis desviados que as exigem também dos sacerdotes ainda firmes nos princípios perenes. A desorientação e a incerteza em relação aos desenvolvimentos futuros, permanecendo realistas quantos aos indícios do que aconteceu até agora, reinam soberanas. O racha, reconhecido por muitos, infelizmente é inegável.
E não se deve subestimar que, se é verdade que o texto do relatório final, muito emendado em relação ao post disceptationem, junto com 470 “modos” (isto é, as  propostas de emenda apresentadas), traz também os pontos que não obtiveram a aprovação sinodal, se trata de uma vitória de Pirro. De fato, por decisão de Bergoglio, a Relatio final, na versão atual, será o ponto de partida enviado para as conferências nacionais para 2015. Tudo, portanto, permanece sobre a mesa. Mesmo o que sequer deveria ser objeto de discussão.

Já é tempo de os pastores não alinhados finalmente falarem. Todos. O Papa já apontou os dissidentes e já vimos com que resultados (o cardeal Burke, por exemplo, juntamente com as recentes nomeações improvisadas ad hoc para influenciar os trabalhos). Até surgirem novos expurgos, todo pastor, mesmo não envolvido diretamente na assembleia sinodal, deve falar e estar presente, quanto mais possível, também nos meios de comunicação, para reparar os danos provocados pelas mensagens mediáticas de aberturas 'pastorais' indiscriminadas já transmitidas urbi et orbi, e para que o maior número possível de pessoas, ab intra e ad extra, tenha maior consciência sobre este pontificado e sobre as derivas a que está levando a Igreja. 

Como não considerar tudo isso, senão como a obra de demolição dos últimos vestígios da doutrina católica em matéria moral e sacramental, que se está propondo como consequência e extensão lógica das famigeradas 'novidades' do Vaticano II?

São, de fato, reconhecíveis os frutos do conciliarismo nos atuais abismos que o bergoglismo vem abrindo, graças às fendas determinadas pelas ambiguidades de fato aplicadas como exceções elevadas à condição de regras. E assim a práxis ultrapassou a doutrina, de facto (o de iure desapareceu1) impondo outra nova, e o atual papa pode  permitir-se desprezar a Tradição e também a "Roma perene" e até a sua Liturgia [aqui]. E isso configura uma distância abissal com todos os pontificados pós-conciliares anteriores, que, no entanto, também produziram algumas derivas (reforma litúrgica selvagem; Assis e Alianças paralelas com os irmãos mais velhos; a reabilitação de Lutero etc.). Mas estamos na hora do redde rationem: pentecostalismo joaquimita, desprezo pela razão e pela sã teologia, sociologismo, TL, liberação da sodomia, aceitação codificada do pecado e do erro, em vez do acolhimento do pecador (arrependido ou induzido ao arrependimento) e do que erra (corrigido e instruído).

O Sínodo fez caírem muitas máscaras e permitiu reconhecer aspirações residuais de fidelidade. Ou antes, se estas não se concretizarem em ações eficazes antes dos expurgos já em ato e da predisposição das previsíveis novas ações de manipulação, talvez os danos possam ser irreversíveis ou, pelo menos, de cura muito mais difícil.
De resto, não se pode afirmar, como tentam alguns, que o papa esteja super partes. O próprio Sandro Magister, um dos observadores mais atentos e objetivos, justamente afirma hoje [aqui]:
Não é verdade que Francisco se tenha calado nas duas semanas do sínodo. Nas homilias matinais em Santa Marta martelava todo dia os defensores da tradição, aqueles que põem nas costas dos homens fardos insuportáveis, aqueles que só têm certezas e nenhuma dúvida, os mesmos contra os quais arremeteu no discurso de encerramento com os padres sinodais. [...] papa Francesco e os seus lugares-tenentes, de Forte a Spadaro e ao arcebispo argentino Víctor Manuel Fernández, miraram o objetivo de introduzir esse tema explosivo na  agenda da Igreja católica, nos seus mais altos níveis. Veremos no que isso vai dar.
Pois a revolução de Bergoglio caminha assim, "a longo prazo, sem a obsessão pelos resultados imediatos ". Porque "o importante é iniciar os processos, mais que possuir espaços ". Palavras de "Evangelii gaudium", programa do seu pontificado.

Não posso, portanto, não reafirmar aqui o que já foi sustentado e repetir o convite à parrésia da parte dos pastores, que não deixarão de ser apoiados pela parte sadia do rebanho, por mais pussillus que possa ser. A doutrina é imutável e a práxis não, mas também a práxis pastoral não deve contradizer a doutrina, caso contrário põe em ação, inexoravelmente, outra doutrina sob falsas aparências. 
Ora, a 'tese Kasper' – a que se somaram e vão somando-se outras vozes revolucionárias - que o próprio papa lançou à arena para dar início ao combate dos gladiadores purpurados, contradiz em cheio a doutrina. A única postura coerente para um cardeal ou um bispo é o de condenar abertamente e desde já, sem mais tardar, tanto a tese Kasper, quanto - e sobretudo - a tentativa inaudita de Francisco de submeter a discussão o que não pode sê-lo, sob pena de perda imediata da Fé católica. É agora, hic et nunc, que os defensores da Fé devem intervir publicamente e, oxalá, com um verdadeiro libellus accusationis. 

SE NÃO AGORA, QUANDO?
Maria Guarini
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1. Até o sufocamento da Tradição acontece por meio de decisões autoritárias e não segundo o direito (ver os casos dos Franciscanos da Imaculada e de Ciudad del Este), sem motivações explícitas ou com expedientes de pretexto.
Aprofundei [aqui], ao examinar o Concílio virtual, o real e a hermenêutica falsificada (obviamente o mesmo se pode dizer do Sínodo, real e virtual, et alia), a questão de como o confronto é esvaziado, porque os interlocutores (os amantes da tradição e os inovadores) usam diferentes grades de leitura da realidade: o concílio, mudando a linguagem [aqui], mudou também os parâmetros de abordagem da realidade. E acontece de se falar da mesma coisa, à qual, porém, se dão significados diferentes. Entre outras coisas, a característica principal dos hierarcas atuais e o uso de afirmações apodíticas, sem jamais dar-se ao trabalho de demonstrá-las ou com afirmações capengas e sofísticas. Maa nem precisam de demonstrações, pois a nova abordagem e a nova linguagem subverteram tudo ab origine. E o não demonstrado da anômala pastoralidade carente de princípios teológicos definidos é justamente o que nos priva da matéria prima da disputa. É o avanço do fluido, cambiante, dissolvente e informe, em vez da construção clara, inequívoca, definitória, veritativa. É necessária a incandescente, perene, fecunda (muito distante dos museus!) firmeza do dogma para não afundar nos paludes e nas areias movediças do neo-magistério historicista transeunte.

1 commento:

Gederson ha detto...

Mic,

Questo ecumenismo comincia con il matrimonio, ma è un ecumenismo sacramentale. Se rischia di questo ecumenismo raggiungere agli altri sacramenti, come il proprio sacramentio dell'Eucaristia. Immagine questo ecumenismo nel sacramento dell'Ordine?

Io ancora me domando sulla libertà che Kasper possiede nella Chiesa. Questa è una rottura. Non se può aspettare che uomini come Kasper, faccia un'ermeneutica della riforma nella continuità.